Energia elétrica
Mas o que a faz tão importante a ponto de se tornar praticamente indispensável
à vida atual? São muitos os motivos. Seguem alguns que em geral são
considerados fundamentais:
• É facilmente transportável. Pode ser produzida no local mais conveniente e
transmitida para consumidores distantes por uma simples rede de condutores
(fios).
• É facilmente transformável em outras formas de energia. Exemplo: calor, luz,
movimento.
• É elemento fundamental para a ocorrência de muitos fenômenos físicos e
químicos que formam a base de operação de máquinas, equipamentos, etc dos tempos atuais. Exemplo: eletromagnetismo, efeito
termiônico, efeito semicondutor, fotovoltaico, oxidação e redução, etc.
Entretanto, como qualquer forma de energia, ela deve obedecer ao primeiro
princípio da termodinâmica. Assim, quando dizemos geração de energia
elétrica, devemos entender como uma transformação de uma outra forma de
energia em energia elétrica.
Térmica: a energia que se transforma é o calor resultante da queima de
algum combustível (derivado de petróleo como óleo combustível, gás natural,
carvão, madeira, resíduos como bagaços, etc). Em
nível mundial representa provavelmente a maior parcela. As instalações usam
basicamente caldeiras que geram vapor que aciona turbinas que acionam
geradores. Ou então máquinas térmicas como motores diesel ou turbinas a gás. No
aspecto ecológico apresenta problemas. A queima de combustíveis joga na atmosfera poluentes variados como o enxofre além do dióxido
de carbono, responsável pelo já preocupante efeito estufa (aquecimento global).
Se madeira ou carvão vegetal são usados, a conseqüência é o desmatamento.
Nuclear: pode ser entendida como uma térmica que usa caldeira, sendo a
fonte de calor um reator nuclear em vez da queima de combustível. Por algum
tempo foi considerada a solução do futuro para a geração de energia elétrica.
Mas os vários acidentes ocorridos ao longo do tempo revelaram um enorme
potencial de risco. Os resíduos (lixo atômico) são outro grave problema. Em
vários países, não é mais permitida a construção de novas usinas nucleares.
Hídrica: a energia potencial de uma queda d'água é usada para acionar
turbinas que, por sua vez, acionam geradores elétricos. Em geral as quedas
d'água são artificialmente construídas (barragens), formando extensos
reservatórios, necessários para garantir o suprimento em períodos de pouca
chuva. Não é um método totalmente inofensivo para o ambiente. Afinal, os
reservatórios ocupam áreas enormes, mas é um problema consideravelmente menor
que os anteriores. Evidente que a disponibilidade é totalmente dependente dos
recursos hídricos de cada região. No Brasil representa a maior parcela da
energia gerada.
Outros meios, considerados ecologicamente limpos, vêm sendo usados cada vez
mais, embora a participação global seja ainda pequena: solar e eólico.
No primeiro, em geral, a energia da radiação solar é convertida diretamente em
elétrica com o uso de células fotovoltaicas. Há necessidade de acumuladores
(baterias) para suprir picos de demanda e fornecer energia durante a noite.
Usado principalmente para pequenas unidades residenciais em zonas rurais. No
método eólico, o arraste dos ventos aciona pás acopladas a geradores. É claro
que a viabilidade depende das características climáticas da região. Em alguns
países sua participação vem aumentando, devido à possibilidade de se obter
quantidades razoáveis de energia com quase nenhum prejuízo ecológico.
Entretanto, é sempre um sistema complementar a um outro, uma vez que a
irregularidade dos ventos não permite um fornecimento constante.
A Figura 01 abaixo dá o esquema simplificado de uma transmissão. Após o
gerador, transformadores da subestação elevadora aumentam a tensão para um
valor alto. Dependendo da região, pode variar de
Mas por que a tensão de transmissão precisa ser tão alta? Podemos fazer uma
analogia com uma tubulação de água. Seja uma tubulação pela qual passa uma
determinada vazão de água: se aumentamos a pressão no início, a vazão também
aumentará sem necessidade de um tubo de maior diâmetro.
No caso da energia elétrica, se transmitida
com baixas tensões na potência necessária para atender milhares de
consumidores, a bitola dos condutores precisaria ser tão grande que tornaria o
sistema economicamente inviável.
Conforme tópico anterior, quanto mais alta a tensão menor a bitola dos
condutores para transmitir a mesma potência. Assim, redes de distribuição em
geral operam com, no mínimo, duas tensões. As mais altas para os consumidores
de maior porte e as mais baixas para os pequenos.
A Figura 01 deste tópico mostra o esquema simplificado de uma distribuição
típica. A subestação redutora diminui a tensão da linha de transmissão para
13,8 kV, chamada distribuição primária, que é o padrão geralmente usado
nos centros urbanos no Brasil. São aqueles 3 fios que
se vê normalmente no topo dos postes. Essa tensão primária é fornecida aos
consumidores de maior porte os quais, por sua vez, dispõem de suas próprias
subestações para rebaixar a tensão ao nível de alimentação dos seus
equipamentos.
A rede é formada pelos quatro fios (separados e sem isolação ou juntos e com
isolação) que se observam na parte intermediária dos postes